segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Departamento criado para substituir delegacia de combate à corrupção é inaugurado no Recife


Localizado em Tejipió, Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco) substitui a Decasp. Sede tem 164 servidores, entre delegados, policiais e escrivães.





Foi inaugurado, nesta segunda-feira (10), o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco), criado para substituir a Delegacia de Combate aos Crimescontra a Administração e Serviços Públicos (Decasp). A sede do novo órgão da Polícia Civil fica no bairro de Tejipió, na Zona Oeste do Recife(Veja vídeo acima)
A inauguração do Draco ocorreu um mês depois da sanção da lei que o criou. Ao todo, 164 servidores, entre delegados, policiais e escrivães, fazem parte do corpo de funcionários do Draco. Anteriormente, o nome do departamento não incluía a palavra “corrupção”, inserida após as críticas por causa da extinção da Decasp.
Na terça-feira (11), começam a funcionar na nova sede as duas Delegacias de Combate à Corrupção. Até o fim do ano, a previsão é de que o local também receba a Delegacia de Polícia Interestadual de Capturas (Polinter) e a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
O Grupo de Operações Especiais (GOE) e a Delegacia Contra a Ordem Tributária (Deccot) continuam funcionando em suas respectivas sedes.
Gestora do Draco, a delegada Sylvana Lellis afirmou que existiam 2.888 procedimentos com a Decasp. Desses, 2.463 foram entregues ao Ministério Público de Pernambuco por solicitação do órgão. Outros 220 são da Delegacia de Crimes Contra a Propriedade Imaterial (Deprim), também extinta pela criação do Draco.
“A Policia Civil é bicentenária, é da sociedade pernambucana, não é de ‘governo a’ ou ‘governo b’. Temos uma missão e ela será cumprida, é inibir, coibir, prevenir e reprimir todo o comportamento relacionado ao crime organizado e à corrupção no nosso estado”, afirma a delegada.
Os policiais que atuam e passarão a atuar no Draco participam de uma capacitação, prevista legalmente pela criação do departamento. Segundo o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, as capacitações são feitas em conjunto com parceiros.
A possibilidade de a Polícia Civil realizar capacitações legais com seus parceiros, como a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério Público, é uma previsão legal. Já existe um projeto para dezembro para uma capacitação junto à PF, para os policiais que vão atuar no Draco”, diz.
Segundo o chefe da Polícia Civil, Joselito Amaral, além das seis delegacias que compõem o Draco, outras seis delegacias estão previstas para serem implantadas até 2021.
“A sugestão é que elas funcionem em Goiana [no Grande Recife], em PalmaresGaranhuns e Caruaru [no Agreste] e em Petrolina e Serra Talhada [no Sertão]. Duas serão inauguradas a cada ano, para que as duas delegacias instaladas no Recife tenham foco na capital e na Região Metropolitana”, conta Joselito.

Controvérsias

Com 1,6 mil inquéritos no inventário, a Decasp foi extinta em 7 de novembro, por lei estadual, para a criação do Draco. O projeto foi enviado pelo governo do estado à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), em caráter de urgência. Os deputados aprovaram a proposta por 30 votos contra 6, de um total de 49 parlamentares. (Veja vídeo acima)
A Justiça havia concedido uma liminar, em 16 de novembro, mantendo por 45 dias os inquéritos sob responsabilidade da delegacia extinta, mas a decisão foi derrubada pelo presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), desembargador Adalberto de Oliveira Melo, em 21 de novembro.
A delegada Patrícia Domingos, titular da Decasp, recusou o convite para ser a gestora adjunta do Draco. Em 29 de outubro, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), também do MPPE, retirou da Decasp computadores, celulares e documentos. Esse material era da empresa Casa de Farinha e foi apreendido em 11 de outubro, durante a operação Castelo de Farinha.

Balanço da Decasp

Em quatro anos de funcionamento, a Decasp foi responsável por 15 operações que resultaram em 49 presos, entre políticos e empresários envolvidos em esquemas de corrupção.
Um dos detidos foi o então prefeito de Catende, na Zona da Mata, Otacílio Cordeiro, suspeito de comandar um esquema de lavagem de dinheiro, desvio de verba e falsificação de documentos. Na época, a Polícia Civil encontrou R$ 758.437,00 na casa de Cordeiro e no prédio da prefeitura, na deflagração da Operação Tsunami.
Ao longo das investigações, foi realizada outra operação, dessa vez contra suspeitos de atrapalhar as investigações da Operação Tsunami. Na ocasião, foram presos o filho e o sobrinho de Otacílio Cordeiro, que renunciou ao cargo.

Do G1 Caruaru 

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