quarta-feira, 6 de maio de 2020

Ministério Público pede ao Judiciário a determinação de 'lockdown' em Pernambuco



O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) entrou, nesta quarta-feira (6) com um pedido para que o Judiciário determine o "lockdown" no estado, tornando mais rigorosas, por 15 dias, as normas já impostas para evitar a disseminação do novo coronavírus. Entre as medidas solicitadas na ação civil pública estão restrições de circulação de pessoas, de veículos e de funcionamento de serviços considerados não essenciais. MPPE também pede a aplicação de multas para quem descumprir as regras.

A solicitação foi feita pelo promotor Solon Ivo da Silva Filho, da Promotoria de Cidadania, com atuação na área de Defesa do Consumidor. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) informou que a Ação Civil foi recebida e está com o juiz Breno Duarte, da 1ª Vara da Fazenda Pública da Capital.
Pernambuco tem, segundo o boletim divulgado pelo governo nesta quarta, 9.881 casos confirmados e 803 mortes (veja vídeo abaixo).
Desde o início da pandemia, em março, foram adotadas medidas de restrição, como proibição de serviços não essenciais e reuniões de pessoas. Praias, parques e shoppings centers estão fechados.
O 'lockdown' foi adotado em alguns estados brasileiros, como MaranhãoCeará e Pará. Também vigorou em países da Europa.
Em Pernambuco, segundo o promotor Solon Ivo Filho, o pedido é divido em restrições a estabelecimentos e a pessoas, além da circulação de veículos.
Sobre os serviços, ele solicita, por exemplo, a manutenção de suspensão de funcionamento e de atendimento ao público, ainda que seja por meio de entrega em domicílio, de todas as atividades e serviços não essenciais.
Ficam preservadas as atividades em mercados, supermercados e farmácias. Também podem abrir, segundo a solicitação, estabelecimentos em que o fornecimento necessite da presença efetiva do consumidor.

Nesses casos estão: postos de gasolina; serviços de saúde (médicos, clínicas, hospitais, laboratórios e demais estabelecimentos relacionados à prestação de serviços na área de saúde); clínicas e hospitais veterinários; bancos e serviços financeiros, inclusive lotérica; serviços funerários; hotéis e pousadas, com atendimento restrito aos hóspedes.

Para isso, esses estabelecimentos precisam seguir regras específicas: uma pessoa por cada dez metros quadrados de área do estabelecimento, uma pessoa por carro no acesso aos estacionamentos e uma pessoa de cada família por vez.

Veículos

Na ação, o promotor pede, ainda, a restrição aos transportes entre cidades, intermunicipal e interestadual, liberando o deslocamento e trânsito de pessoas e produtos apenas relacionados aos serviços e atividades essenciais permitidos, previstos no decreto do governo do estado, de 14 de março.
Ele solicita também a proibição de entrada e saída de veículos do Recife, com exceção para aqueles destinados à realização dos serviços e atividades.
Caso a ação seja acatada pela Justiça, ficarão proibidos de circular carros particulares em todo o estado, "exceto para questões relacionadas ao cumprimento dos serviços e atividades essenciais permitidas".

O pedido abrange a proibição da circulação de pessoas em espaços públicos e privados, "salvo para a compra de produtos e serviços caracterizados como essenciais e que exijam a presença efetiva das pessoas no estabelecimento".
Também ficam liberados serviços essenciais, "cuja presença efetiva das pessoas tenha sido permitida", como mercados, supermercados e farmácias e saques de salários e auxílios governamentais.

O pedido inclui a determinação de distanciamento entre pessoas que estejam em espaços públicos, para a realização de serviços e atividades essenciais permitidos, ou para os saques em bancos, nos casos autorizados.
Além disso, todos deverão usar máscaras em espaços públicos. Na ação está prevista a regulamentação do funcionamento dos serviços públicos e atividades essenciais, “prescrevendo-se lotação máxima excepcional nesses ambientes e organização de filas”.

O MPPE também solicita a adoção de medidas de orientação e de sanção administrativa quando houver infração às medidas de restrição social, como o não uso de máscaras em locais de acesso ao público. "Essa conduta é análoga aos crimes de infração de medida sanitária preventiva", justifica o texto.


Do G1 

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